BALUARTES DA VILA
BALUARTES DA VILA
BALUARTES DA VILA
BALUARTES DA VILA
domingo, 3 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
A SAMBISTA MAIOR CLARA NUNES E NOSSA VILA BRASIL
Há 28 anos atrás, num dia 2 de abril como hoje, nós brasileiros, perdíamos a maior expressão da nossa música popular brasileira: Clara Nunes.
Estava na casa de minha tia, quando uma de minhas primas a Maninha, chegou e me disse: morreu Clara Nunes! Aquela dor, era uma dor idêntica a dor sentida por um ente-querido, um consangüíneo nosso, que parte assim, sem dizer adeus! Meu sonho e atormentação com meus pais sempre fora um dia ser apresentado a Clara Nunes, queria dizer um oi Clara, que bom que você existe.
A matriz africana, vivenciada e explicitada de forma nobre por Clara Nunes , foi sem sombra o maior afago à cosmovisão africana no Brasil, que já tivemos no cenário musical . Clara Nunes mostrou ao mundo o quanto é bonito ser negro. O quanto o sangue negro misturou-se ao mosaico cultural e deixou o Brasil um povo que sobrevive as adversidades cantando, mesmo que seja de dor! Mestiça, Clara ficou a vontade com seus cabelos crespos, suas roupas de religião, seus colares de contas e seus pés nus e muito bronzeamento para sua cor morena se tornar negra.
Esse resgate de identidade negra, somou-se a uma voz perfeita na entonação de cultura afro-brasileira, com expressões e mapeamentos musicais de resgate desta identidade, e foram despencando no cenário musical brasileiro jongos, maracatus, frevos, congadas, sambas de enredo, samba canção, toadas, toques de candomblé, folclore e muita fé no que fazia. Isso fez a auto-estima do povo negro, discriminado na sua cultura, subir e eleger Clara Nunes a nossa maior cantora, isso no Brasil negro, que a consagrou nas vendagens de discos. Clara se tornou um fenômeno, o mesmo povo que ela acarinhava com suas canções, era quem fazia dela uma rainha. O outro Brasil não negro,racista, discriminador, abastado, das elites, é óbvio escolhera outra cantora para representá-lo, mas teve que render-se ao talento da cantora caipira, vinda do interior e que em plena ditadura militar entoava cantos de louvor e hinos de luta como Canto das três raças.
O congraçamento das etnias brasileiras, e o sonho de equidade social, se manifestavam na cantora, quando sem esquecer suas origens, ia em busca dos compositores populares e se a música não arrepiasse, e não tocasse primeiro seu coração, ela não gravava. Seguia os referenciais do povo entre morros, terreiros,Continente Africano e o mundo afora, na busca do popular sem ser popularesca. Furava o bloqueio masculino e tornou-se um fenômeno de vendas. Vendia milhões de discos. No país do carnaval, nunca Clara teve em vida um especial na maior TV brasileira. Levou essa mágoa para a eternidade. Essa invisibilidade da representante autêntica do povo brasileiro, só foi sacudida pela morte prematura da artista. E dai? Daí que depois que Clara morreu, mais uma vez o mundo do poder, não negro, voltou-se para lágrima e dor do povo brasileiro, mais como manchete da confusão do enterro que reuniu mais de 50.000 pessoas no Rio de Janeiro, do que verdadeiro respeito pela artista,pela mulher de fibra, determinada,que nunca traiu seus princípios do cantar como missão, em forma de oração, lenitivo necessário para revelar a face de um povo, sua leveza, de rara beleza, e fé na sua grandeza.Não era atoa, o apelido de Sabia, quantas vezes observamos esse pássaro a cantar, com sol ou chuva lá está ele. Clara realmente, pássaro cantante. Na Vila,temos a nossa eterna Clara Nunes, na figura de Marlene Vidal.
Marlene coordenava a ala das Baianas, saia de Porta Bandeira, mas decidira naquele ano que Clara foi embora,que ela seria Clara. Partiu dela essa idéia. Vamos homenagear Clara Nunes! Eu vou ser a Clara! Marlene aglutinava as pessoas, sempre com um sorriso franco no rosto e sua empatia com a gente uma gurizada, que atormentava a casa do Miro da Cuíca e eles sempre muito receptivos, com os grupos de dança afro que criávamos, com os grupos de capoeira que nasciam dentro da casa do Miro e da Marlene. Maravilha!
Víamos em Marlene, uma Clara Nunes na Vila, atuante, faceira, falando alto, alegre e principalmente amando a Vila. Naquele ano um Enorme quadro de Clara Nunes entrou na av. Domingos de Almeida. Foi de arrepiar!
Nós maioria jovem nessa ala, estávamos preocupados com Marlene e a possibilidade dela não desfilar como Clara Nunes, pois ficou acometida de uma conjuntivite que tentava ofuscar o brilho da homenagem a Clarinha. Mas Marlene superou-se, foi, brincou na avenida de pés descalços, vestido branco e flores no cabelo, estava linda! Olha a Clara Nunes, gritava o povão!
Enquanto as meninas eram as Clarinhas, os meninos eram os Filhos de Gandhi. No outro ano, a coordenação da Ala Clara Nunes, ficou a meu encargo. A Vila prosseguiu com a ala Clara Nunes, até eu vir embora para Porto Alegre. Recebi muitas correspondências do pessoal do Fã-Clube da Clara,ao qual criamos em Santa Maria, e que mantinha a Ala Clara Nunes na Vila Brasil. Eu não podia voltar para Santa Maria. O trabalho cresceu em Porto Alegre, precisava redirecionar minha
Vida e os meus propósitos espirituais me ligaram a Clara, mais intensamente, do que um dia poderia imaginar. A cantora me pediu em mensagem espiritual, que auxiliasse as crianças. Posteriormente viajei a São Paulo para conhecer Nadege, senhora que tambem recebera a mensagem, que fora entregue para três pessoas no Brasil: Nadege, a irmã mais velha de Clara, sra Maria Gonçalves, e eu. Assim, inicieu um trabalho voltado para as crianças. Minha vida mudou a partir desta concepção de caridade com as crianças. Foi o que fiz e me senti muito feliz com essa missão. Hoje,meu terreiro cuida das crianças da comunidade do Morro da Polícia através do Projeto Social Ola Si Bó. Tenho Clara, como uma espécie de mentora, um ser de luz, que é um paradigma de bondade e fé. Logo Clara que não conseguiu ter filhos em vida. Hoje muita criança,através da nossa querida Associação Clara Nunes, pode ganhar material escolar, pode receber alimentação, participar de atividades lúdicas e culturais dentro de um terreiro que faz serviço social. Essa,para mim, é a grande lição do espírito de Clara Nunes, que nunca esqueceu a criança pobre que fora um dia; que mesmo sendo a maior cantora popular que este pais já conheceu, nunca deixou de ajudar e queria encerrar a carreira trabalhando numa creche. E trabalha no mundo espiritual, conforme minha crença, nos auxiliando muito. Clarinha, era uma mulher que distribuiu e continua distribuindo muito amor... nosso projeto dentro do terreiro, é uma prova disso, ela continua viva, emanando seu amor pelas pessoas, principalmente as crianças pobres e desamparadas desse nosso Brasil.
Sua benção Mineira Guerreira, filha de Ogum com Iansã!Samba enredo da SENZALA (Escola de Samba extinta dos anos 80)
CLARA NUNES
Um dia o mar revolto fez silencio
Para escutar o samba cantado na areia
Hoje o mar revolto está chorando
Lamentando a ausência da sua sereia
A lua o mar revolto e as estrelas
Abrem alas neste enredo de saudade
Clara Nunes vai sambar eternamente
No grande carnaval da eternidade
Clara Clarinha
Clara Sabiá
Canta o samba enredo da saudade
E acende a passarela do luar...
domingo, 27 de março de 2011
O Homem Falou
Pode chegar que a festa vai é começar agora
E é prá chegar quem quiser, deixe a tristeza prá lá
E traga o seu coração, sua presença de irmão
Nós precisamos de você nesse cordão
Pode chegar que a casa é grande e é toda nossa
Vamos limpar o salão, para um desfile melhor
Vamos cuidar da harmonia, da nossa evolução
Da unidade vai nascer a nova idade
Da unidade vai nascer a novidade
E é prá chegar sabendo que a gente tem o sol na
mão
E o brilho das pessoas é bem maior, irá iluminar
nossas manhãs
Vamos levar o samba com união, no pique de uma escola
campeã
Não vamos deixar ninguém atrapalhar a nossa passagem
Não vamos deixar ninguém chegar com sacanagem
Vão'bora que a hora é essa e vamos ganhar
Não vamos deixar uns e outros melar
Oô eô eá, e a festa vai apenas começar(vamos lá
meu amor )
terça-feira, 22 de março de 2011
A VILA BRASIL DA A VOLTA POR CIMA
Feitiço da Vila
Parabéns Vila Brasil, estamos chegando Lá!!!
A Vila Brasil entrou na avenida, disposta a enfrentar o descrédito que a desmantelou nos últimos carnavais. Era a hora da virada!
E foi! A Paixão que move o Vileiro, é a combustão que o faz buscar sua felicidade brincando na avenida. Entre os anéis de saturno e constelações que despencaram na avenida, um mar de sentimentos pela escola querida, fazia chover na avenida. Choviam entre purpurinas e lantejoulas, chovia entre a cadência da bateria e preocupação da Porta Bandeira Lucélia, chovia no coração e principalmente na face do povo da vila...chovia, um choro incomum, uma lágrima de realização pessoal de colocar a escola na avenida. O tempo ajudou no domingo, onde não choveu no carnaval, mas para os bons observadores os olhos do povão vermelho e branco estava marejado com as aguas de amor pela Vila Brasil. Essa e a vila que nós amamos, com seus defeitos e qualidades, esta é a nossa casa de samba, esse é o nosso quintal, esse é o nosso terreiro, esses são nossos amigos e parentes que trazemos para a procissão do samba! Os jurados acharam que devíamos ficar em quinto lugar, nós da Vila desfilamos e mostramos nosso samba, nossos valores, nossas estrelas e nosso sol vermelho, que nasce sempre em primeiro lugar iluminando nosso povo. Impossível não manter a tradição, mesmo que a mão do ritmista sangrasse, no couro branco do surdo mestre, nós os filhos da Vila, que é do operário, do vagabundo, da prostituta, da lavadeira, do doutor, do empresário, do homossexual, dos deserdados, dos bêbados, dos escritores, dos poetas loucos, dos apaixonados, dos negros, dos brancos, enfim da diversidade desse nosso chão, nós estávamos lá, felizes cantando o samba maravilhoso dizendo que Nossa Vila é o Universo Surreal e da Magia, essa magia que enfeitiça a gente e toda dor vira só felicidade.
FEITIÇO DA VILA
Noel Rosa (com algumas adaptações de Baba Xandeco)
Composição: Noel Rosa / Vadico
Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos,
Do arvoredo e faz a lua,
Nascer mais cedo.
Lá, em Vila Brasil,
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba.
São Paulo dá café,
Minas dá leite,
E a Vila Brasil dá samba.
A Vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem
Tendo nome do país
Transformou o samba
Num feitiço descente
Que prende a gente
O sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora:
"Sol, pelo amor de Deus,
não vem agora
que as morenas
vão logo embora
Eu sei tudo o que faço
sei por onde passo
paixão não me aniquila
Mas, tenho que dizer,
modéstia à parte,
meus senhores,
Eu sou da Vila!
Parabéns Vila Brasil, estamos chegando Lá!!!
A Vila Brasil entrou na avenida, disposta a enfrentar o descrédito que a desmantelou nos últimos carnavais. Era a hora da virada!
E foi! A Paixão que move o Vileiro, é a combustão que o faz buscar sua felicidade brincando na avenida. Entre os anéis de saturno e constelações que despencaram na avenida, um mar de sentimentos pela escola querida, fazia chover na avenida. Choviam entre purpurinas e lantejoulas, chovia entre a cadência da bateria e preocupação da Porta Bandeira Lucélia, chovia no coração e principalmente na face do povo da vila...chovia, um choro incomum, uma lágrima de realização pessoal de colocar a escola na avenida. O tempo ajudou no domingo, onde não choveu no carnaval, mas para os bons observadores os olhos do povão vermelho e branco estava marejado com as aguas de amor pela Vila Brasil. Essa e a vila que nós amamos, com seus defeitos e qualidades, esta é a nossa casa de samba, esse é o nosso quintal, esse é o nosso terreiro, esses são nossos amigos e parentes que trazemos para a procissão do samba! Os jurados acharam que devíamos ficar em quinto lugar, nós da Vila desfilamos e mostramos nosso samba, nossos valores, nossas estrelas e nosso sol vermelho, que nasce sempre em primeiro lugar iluminando nosso povo. Impossível não manter a tradição, mesmo que a mão do ritmista sangrasse, no couro branco do surdo mestre, nós os filhos da Vila, que é do operário, do vagabundo, da prostituta, da lavadeira, do doutor, do empresário, do homossexual, dos deserdados, dos bêbados, dos escritores, dos poetas loucos, dos apaixonados, dos negros, dos brancos, enfim da diversidade desse nosso chão, nós estávamos lá, felizes cantando o samba maravilhoso dizendo que Nossa Vila é o Universo Surreal e da Magia, essa magia que enfeitiça a gente e toda dor vira só felicidade.
FEITIÇO DA VILA
Noel Rosa (com algumas adaptações de Baba Xandeco)
Composição: Noel Rosa / Vadico
Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos,
Do arvoredo e faz a lua,
Nascer mais cedo.
Lá, em Vila Brasil,
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba.
São Paulo dá café,
Minas dá leite,
E a Vila Brasil dá samba.
A Vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem
Tendo nome do país
Transformou o samba
Num feitiço descente
Que prende a gente
O sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora:
"Sol, pelo amor de Deus,
não vem agora
que as morenas
vão logo embora
Eu sei tudo o que faço
sei por onde passo
paixão não me aniquila
Mas, tenho que dizer,
modéstia à parte,
meus senhores,
Eu sou da Vila!
quinta-feira, 10 de março de 2011
TA NA HORA VILA BRASIL, VAMOS LÁ!
RENASCER DAS CINZAS
O Carnaval de Santa Maria, volta!
Eu volto também. O tempo não mais volta! Mas renascemos das cinzas, de qualquer desilusão com nossas alegrias. Saber que a Vila chegou ao fundo do poço no último carnaval é o mesmo sentimento de vácuo, na dor que experimentei quando li que a Portela no Rio , ao qual sou torcedor, este ano não concorreria. Situações análogas de falta de condições financeiras para participar da festa. Na terrinha santa, Jamais Miro da Cuíca, Caixa, Marlene, Enésia deixariam que a Vila não fosse para avenida. A Vila é feita de gente guerreira do povo, que é teimosa e quer desfilar e competir no carnaval, mesmo que para isso, tivessemos que recomeçar do nada. A culpa e seus culpados, pode ser a inflação, poderá ser a desunião, a falta de incentivo financeiro, o trabalho que deverá ser mantido o ano inteiro e não tão somente nos últimos meses que antecedem a grande festa. Corajosa Vila Brasil, busquemos nossos baluartes que com certeza não deixariam ninguém falar mal da Vila. A Vila é tudo de bom! Porque é feita de gente, com todos os agravos e desagravos da imperfeição e iluminação humana. Miro por exemplo, nunca baixou a cabeça. Era um grande articulador do Carnaval em geral. Pensava no povo. Na Vila, um exemplo, mesmo quando um jurado despreparado, deu nota 2 para a nossa bateria da Vila Brasil. Todo mundo sabia que éramos superiores neste quesito e foi uma forma de nos atingir. Superamos tudo isso nos carnavais dos anos 80. Inovamos na avenida, trouxemos treme-terras, e não tinha para ninguém sabe por quê? Por que tínhamos garra de querer e ser os campeões do carnaval. Fazíamos feiras de baianas em praça pública, cobrávamos a entrada irrisória para os ensaios, e todos colaboravam numa boa. Sem contar que tínhamos o compromisso de pegar junto no barracão. Já sofremos muitas discriminações, mas nunca deixamos de levantar a nossa bandeira. Mesmo doendo com uma desclassificação, mesmo sangrando, nosso coração latejante com sangue manchado de vermelho, nos braços brancos da paz! Nós somos a resistência do samba em Santa Maria. Doa a quem doer! Isso não faz o nosso povo Vileiro, nem melhor, nem pior, apenas digno de respeito de todos, pelos anos passados através do amigo tempo, que entre altos e baixos soube manter a tradição, numa cidade do interior, onde existem escolas de samba elitizadas e financiadas por clubes não negros da cidade cultura, onde os dois brasis se apresentam: os dos miseráveis e o dos abastados. Carnaval é a cultura de todos, principalmente daqueles que devem vestir a lantejoula ou o seu TNT, e enfeitá-lo conforme as condições de vida de seu povo. É duro saber que 150,000 reais (cento e cinquenta mil reais), foram doados pela prefeitura da cidade, para o maravilhoso carnaval de Porto Alegre para o carnaval da Imperadores do Samba! Em contraposição, uma ninharia para os guerreiros da cidade coração do Rio Grande do Sul, e seus foliões! Como diz o nosso povo gaúcho, isso é uma barbaridade! E agora José? Como vai ser meu prefeito? E nós meu povo? Cadê o respeito pelo teu carnaval, onde desfilas numa avenida com declive acentuado e ainda sorris como bom brasileiro a empurrar alegorias inacabadas? Ainda sem um sambódromo? Quem faz esses acordos, como concordam em não avançar e cortar as velhas cordas na av. Liberdade? Quem tomou essa liberdade e não consultou as bases populares para acessar a verba da cultura, ao quais pagas impostos para poder usufruir! Liberdade!!! Os velhos carnavais já se foram, era importante para cidade, que fazia questão de trazer os Clubes Sociais que desfilavam antes das Escolas de Samba, um mundo branco e o outro negro, passamos por isso! E aguentávamos numa boa?! Agora romper com as cordas que nos prendem a um carnaval muito mesquinho, mas que ostenta Santa Maria, para um povo que não esta nem ai para nós. Dói sabe. Que falta faz Miro. Miro da Cuíca, trazendo Fernando Pamplona, Joãozinho Trinta, Miro que no carnaval seguinte inaugurou as camisetas todas com a seguinte inscrição: baterias nota 2! E ainda trouxe a Cova da Onça, escola de samba Vermelho e Branco de Uruguaiana para se apresentar nas quadras de Vila Brasil. Minha gente da Vermelho e Branco, caprichem, acertem os detalhes, mostre que o Pavão, se transforma em Fênix e renasce das cinzas. Volta Miro e Agenor, meus baluartes, ensinem essa nossa gente a ter classe de um grande sambista, sem perder a veia de guerreiros pela dignidade desse povo que desce as favelas e a Vila e arredores da cidade cultura se tinge de diversidade, que exige respeito e quer apenas dizer que existe!!! Vamos à luta vermelho e branco, pois esse enredo do carnaval dessa nossa Santa Maria é para rodar a baiana mesmo!!!
O Carnaval de Santa Maria, volta!
Eu volto também. O tempo não mais volta! Mas renascemos das cinzas, de qualquer desilusão com nossas alegrias. Saber que a Vila chegou ao fundo do poço no último carnaval é o mesmo sentimento de vácuo, na dor que experimentei quando li que a Portela no Rio , ao qual sou torcedor, este ano não concorreria. Situações análogas de falta de condições financeiras para participar da festa. Na terrinha santa, Jamais Miro da Cuíca, Caixa, Marlene, Enésia deixariam que a Vila não fosse para avenida. A Vila é feita de gente guerreira do povo, que é teimosa e quer desfilar e competir no carnaval, mesmo que para isso, tivessemos que recomeçar do nada. A culpa e seus culpados, pode ser a inflação, poderá ser a desunião, a falta de incentivo financeiro, o trabalho que deverá ser mantido o ano inteiro e não tão somente nos últimos meses que antecedem a grande festa. Corajosa Vila Brasil, busquemos nossos baluartes que com certeza não deixariam ninguém falar mal da Vila. A Vila é tudo de bom! Porque é feita de gente, com todos os agravos e desagravos da imperfeição e iluminação humana. Miro por exemplo, nunca baixou a cabeça. Era um grande articulador do Carnaval em geral. Pensava no povo. Na Vila, um exemplo, mesmo quando um jurado despreparado, deu nota 2 para a nossa bateria da Vila Brasil. Todo mundo sabia que éramos superiores neste quesito e foi uma forma de nos atingir. Superamos tudo isso nos carnavais dos anos 80. Inovamos na avenida, trouxemos treme-terras, e não tinha para ninguém sabe por quê? Por que tínhamos garra de querer e ser os campeões do carnaval. Fazíamos feiras de baianas em praça pública, cobrávamos a entrada irrisória para os ensaios, e todos colaboravam numa boa. Sem contar que tínhamos o compromisso de pegar junto no barracão. Já sofremos muitas discriminações, mas nunca deixamos de levantar a nossa bandeira. Mesmo doendo com uma desclassificação, mesmo sangrando, nosso coração latejante com sangue manchado de vermelho, nos braços brancos da paz! Nós somos a resistência do samba em Santa Maria. Doa a quem doer! Isso não faz o nosso povo Vileiro, nem melhor, nem pior, apenas digno de respeito de todos, pelos anos passados através do amigo tempo, que entre altos e baixos soube manter a tradição, numa cidade do interior, onde existem escolas de samba elitizadas e financiadas por clubes não negros da cidade cultura, onde os dois brasis se apresentam: os dos miseráveis e o dos abastados. Carnaval é a cultura de todos, principalmente daqueles que devem vestir a lantejoula ou o seu TNT, e enfeitá-lo conforme as condições de vida de seu povo. É duro saber que 150,000 reais (cento e cinquenta mil reais), foram doados pela prefeitura da cidade, para o maravilhoso carnaval de Porto Alegre para o carnaval da Imperadores do Samba! Em contraposição, uma ninharia para os guerreiros da cidade coração do Rio Grande do Sul, e seus foliões! Como diz o nosso povo gaúcho, isso é uma barbaridade! E agora José? Como vai ser meu prefeito? E nós meu povo? Cadê o respeito pelo teu carnaval, onde desfilas numa avenida com declive acentuado e ainda sorris como bom brasileiro a empurrar alegorias inacabadas? Ainda sem um sambódromo? Quem faz esses acordos, como concordam em não avançar e cortar as velhas cordas na av. Liberdade? Quem tomou essa liberdade e não consultou as bases populares para acessar a verba da cultura, ao quais pagas impostos para poder usufruir! Liberdade!!! Os velhos carnavais já se foram, era importante para cidade, que fazia questão de trazer os Clubes Sociais que desfilavam antes das Escolas de Samba, um mundo branco e o outro negro, passamos por isso! E aguentávamos numa boa?! Agora romper com as cordas que nos prendem a um carnaval muito mesquinho, mas que ostenta Santa Maria, para um povo que não esta nem ai para nós. Dói sabe. Que falta faz Miro. Miro da Cuíca, trazendo Fernando Pamplona, Joãozinho Trinta, Miro que no carnaval seguinte inaugurou as camisetas todas com a seguinte inscrição: baterias nota 2! E ainda trouxe a Cova da Onça, escola de samba Vermelho e Branco de Uruguaiana para se apresentar nas quadras de Vila Brasil. Minha gente da Vermelho e Branco, caprichem, acertem os detalhes, mostre que o Pavão, se transforma em Fênix e renasce das cinzas. Volta Miro e Agenor, meus baluartes, ensinem essa nossa gente a ter classe de um grande sambista, sem perder a veia de guerreiros pela dignidade desse povo que desce as favelas e a Vila e arredores da cidade cultura se tinge de diversidade, que exige respeito e quer apenas dizer que existe!!! Vamos à luta vermelho e branco, pois esse enredo do carnaval dessa nossa Santa Maria é para rodar a baiana mesmo!!!
terça-feira, 8 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
O BOM FILHO A CASA TORNA
Após 25 anos de ausência de Santa Maria, minha terra natal, encontrei-me comprometido com meu retorno as minhas raízes. Recusei muitos convites, por não me identificar com as situações e poder escolher entre saudades, lembranças, dores e alegrias. Escolhia a solidão, ao vácuo de meus baluartes, sigilosamente ocultados dentro do coração, valente zelador das nossas emoções.
Sentir a dor da ausência daqueles que me legaram valores, era até então uma situação insuportável. Ir a terra natal e não encontrar gente da Vila, não encontrar Aldorinda Barbosa, Miro da Cuíca, Ozzo, Flávia, Siza, Tilica, Valdir, Tuna, Nonana, Eloy Ricaldi, Gon, Zico, Agenor do Amaral, Maria, Enilda e tantos outros que sumiram, como os trens que alegravam Santa Maria.
Vagões desativados, locomotivas enrugadas pelas ferrugens que o tempo foi deixando, sem a lembrança do lindo passado de glórias.
Mas é numa estação desativada, que a alma do samba da cidadezinha pacata, ganha força e a nobreza dos filhos da terra amada.
A fuligem dessa gente negreira, os brilhos dos trilhos do trem, passa para a imaginação e delas surgem fantasias e delírios. O trem dança levando todos para SantaVila Brasil.
Maria, que não é a santa da cidade, mas é a baiana, que pediu aos seus santos que a levassem na avenida,assim se foi rodando feliz. Maria não estava lá, mas seu espírito e alegrias imortais estavam presentes. Uma nova geração leva o samba na nossa Vila, não mais aquele samba daquele jeito do buraco quente. É samba com cara de gente jovem a tremular como a bandeira da vermelho e branco. Marlene Vidal, ao lado de Jocélia, voltou a carregar a bandeira, com os olhos marejados, ao lado do mestre sala franzino e hábil no cortejar o pavilhão da escola. Cantar na Vila sempre fora meu sonho de menino, tímido, a se emocionar com os trens e a Maria Fumaça que a Vila levou para avenida. Um coral maravilhoso a me acompanhar a cantar perolas! Nào era sonho não, era realização plena de minha felicidade guardada e dada de presente ao olhares saudosos de nosso povo. Lá estavam os descendentes daqueles aos quais eu temia a ausência. Quanto aos meus refenciais, pude senti-los plenamente no arrepio da emoção latente. Estavam todos presentes, a cortina se abriu e não precisavam mais espiar, mas vieram participar da festa, lisonjeados por poderem acompanhar filhos ilustres dessa família sambista. Cau, o Sérgio Barbosa, conduzindo gente nossa perdida pelo formigueiro humano da enorme Porto Alegre. Ele conseguiu o resgate do quebra cabeça da genética do samba, fiel e necessária nesta afirmação de valores culturais. Sinalizar a ausência da comunidade LGBT, nas figuras de Vilmar, Marcelino, Teresão, não ver mais os meus amigos gays da Maré Vermelha a fazer arrastões e tornar realmente a Vila Brasil, a escola que não discrimina ninguém e trabalha a diversidade acolhendo o ser humano na sua real condição de humano. Saudades e lembranças nada mais! Sonhos que ficaram na avenida, diz o samba que mais me emociona e que tive o prazer de cantar para vocês. Que esses meninos e meninas possam fazer diferente, fazer o seu tempo, mas que não esqueçam a nossa identidade, nossos baluartes, que não percam essa diversidade acolhedora das diferenças sociais que enriquecem a nossa cultura popular e fazem da Vila uma grande festa. Cacha, não apareceu neste dia, senti a sua falta, devia estar ocupado com o livro da Vida da Vila, um grande intelectual da nossa vermelho e branco, ao qual eu respeito e admiro. Aproveitem sua sabedoria, busquem-no, ele sabe muito. Essa sapiência não está num livro aberto, mas no zelo da memória. Seu Agenor não estava lá, nem Osmar Amaral, mas estava presente sua alma no carisma e sorriso lindo de sua filha Alcione, a herdeira do nosso Rei percussor do carnaval desta cidade. Valdir não estava, lá, mas impressionantemente seu filho Bem-Hur Barbosa, ainda usa a toda hora a palavra inclusive, marca registrada de Didi, ou seja, igualzito ao pai. Meu Deus! Paro de delirar com a Vila e me dou conta que realmente somos imortais! S'imbora Vila!!!
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
EU SOU DA VILA E NÃO POSSO NEGAR
Gente é uma emoção indescritível falar desse meu amor por essa escola de samba. Minha paixão sempre foi a Vila desde menino, os ensaios na Vila Oliveira perto dos trilhos do trem, depois o Enredo de Yemanjá defendido por Enésia, me apaixonavam, queria chegar mas era criança. Assistia a tudo querendo participar. Meu tio, o grande Miro da Cuíca e suas posturas dignas dentro da Vila, Seu Agenor com aquela paciência, a Tia Tuna da ala das baianas, a Vila indo para Cacequi de trem. O enredo da Maria Fumaça composto por Paulo Carus Juliani. Tudo em Vila Brasil me fascinava. Ronaldo Felix, Fando, Marlene Vidal de Porta Bandeira, O passista Sariba, a irreverente passista Sônia e a sua irmã a minha querida amiga Medianeira,. Gente boa, gente do Samba! Os ensaios no Buraco Quente, no Hugo Taylor apelidado de Palácio do Samba. A Maria da ala das baianas que faleceu durante a entrada da Vila na Avenida, esse povo todo e alguns que agora me fogem da memória saudosa e distante dos bons tempos, me fazem um fã incondicional. Fui coordenador da Ala Clara Nunes, a Vila levou uma linda homenagem à Clara naquele ano de 84, onde nos sagramos campeões com o tema que homenageava Oy Pavã.Depois veio a homenagem ao artista plástico Ibere Camargo, entre outros temas marcantes da Vila na avenida. Com Gilmar e Salete íamos confeccionar carros alegóricos no barracão. Comecei a cantar na Vila quando os ensaios eram lá dentro do Buraco Quente, na Visconde de Pelotas, ficava conversando com Jaque e tentando achar um furo, para eu poder estar cantando na harmonia da escola. Depois a escola de Samba Santa Marta realizou o concurso Negro Mais Bonito de Santa Maria e adivinha quem me inscreveu no concurso? A direção da Vila me indicou e eu venci o concurso. Com prêmio e faixa fui convidado especial promovido pela Vila. Coisas que jamais esquecerei. Cantando,consegui a furar o bloqueio, com apoio do Ronaldo Felix e da cantora Medianeira. Assim, adolescente,dava uma colher no Coloradinho, faltaram os puxadores e la ia eu segurar. Isso serviu de base para continuar em Porto Alegre, e quando me dou conta já estou levando mais um samba da Vila para o pessoal conhecer...Rei de brinquedo também sou e como Agenor,Miro,Maria,Caixa,Sariba,Sônia, Marlene Vidal, Músico, Donata,Vitória, Alcione, Enésia, não sou ninguém que possa decifrar o que é o amor por essas coisas lindas que o sangue, garra e samba de nossa gente pode nos dar...e entre vitórias e derrotas nos sentirmos felizes somente por existirmos! SEJAM TODOS BEM VINDOS A VILA BRASIL.(Foto:Diário de Santa Maria).
Universo da magia na Liberdade
. FOTO: SÉRGIO BARBOSA, FILHO DE MIRO DA CUÍCA COMANDANDO A BATERIA DA VILA NOS ANOS 80.
Vila Brasil:
Vila Brasil:
A escola nasceu em 15 de novembro de 1959 nas proximidades da Rua Visconde de Pelotas. Além do título de entidade carnavalesca mais antiga da cidade, carrega a imagem de mãe das agremiações carnavalescas santa-marienses. Isso porque foram seus dissidentes que originaram outros clubes do samba.
A Vila Brasil pisou, pela última vez, na Avenida Liberdade, em 2008, e, por isso, a direção decidiu criar um enredo que homenageasse cada um dos participantes. Com “Ainda mais além… Vila Brasil no espaço sideral”, os membros da escola serão tratados como astros que brilham no universo. O objetivo é mostrar para todos como os integrantes são importantes na história da festa popular.
Sob a presidência de Otavio Apolinário, a novidade para 2011 está no elenco que vai produzir o grande show. Quem assina os figurinos é o estilista santa-mariense Ruby Saratt, com uma costura que promete criatividade e delicadeza. Já o carnavalesco será o coreógrafo Fernando Serpa.
Alcione Flores do Amaral, do Conselho Fiscal da escola, tem a expectativa que, este ano, aproximadamente 450 pessoas participem do desfile. “Essa perspectiva é pela retomada do carnaval. Esta não é uma festa qualquer”, comemora Alcione, deixando escapar uma paixão quase atípica pela escola. É que ela é filha do fundador da Vila Brasil, hoje patrono, Agenor Alves do Amaral. (Fonte Jornal A Razão)
Assinar:
Postagens (Atom)







