RENASCER DAS CINZAS
O Carnaval de Santa Maria, volta!
Eu volto também. O tempo não mais volta! Mas renascemos das cinzas, de qualquer desilusão com nossas alegrias. Saber que a Vila chegou ao fundo do poço no último carnaval é o mesmo sentimento de vácuo, na dor que experimentei quando li que a Portela no Rio , ao qual sou torcedor, este ano não concorreria. Situações análogas de falta de condições financeiras para participar da festa. Na terrinha santa, Jamais Miro da Cuíca, Caixa, Marlene, Enésia deixariam que a Vila não fosse para avenida. A Vila é feita de gente guerreira do povo, que é teimosa e quer desfilar e competir no carnaval, mesmo que para isso, tivessemos que recomeçar do nada. A culpa e seus culpados, pode ser a inflação, poderá ser a desunião, a falta de incentivo financeiro, o trabalho que deverá ser mantido o ano inteiro e não tão somente nos últimos meses que antecedem a grande festa. Corajosa Vila Brasil, busquemos nossos baluartes que com certeza não deixariam ninguém falar mal da Vila. A Vila é tudo de bom! Porque é feita de gente, com todos os agravos e desagravos da imperfeição e iluminação humana. Miro por exemplo, nunca baixou a cabeça. Era um grande articulador do Carnaval em geral. Pensava no povo. Na Vila, um exemplo, mesmo quando um jurado despreparado, deu nota 2 para a nossa bateria da Vila Brasil. Todo mundo sabia que éramos superiores neste quesito e foi uma forma de nos atingir. Superamos tudo isso nos carnavais dos anos 80. Inovamos na avenida, trouxemos treme-terras, e não tinha para ninguém sabe por quê? Por que tínhamos garra de querer e ser os campeões do carnaval. Fazíamos feiras de baianas em praça pública, cobrávamos a entrada irrisória para os ensaios, e todos colaboravam numa boa. Sem contar que tínhamos o compromisso de pegar junto no barracão. Já sofremos muitas discriminações, mas nunca deixamos de levantar a nossa bandeira. Mesmo doendo com uma desclassificação, mesmo sangrando, nosso coração latejante com sangue manchado de vermelho, nos braços brancos da paz! Nós somos a resistência do samba em Santa Maria. Doa a quem doer! Isso não faz o nosso povo Vileiro, nem melhor, nem pior, apenas digno de respeito de todos, pelos anos passados através do amigo tempo, que entre altos e baixos soube manter a tradição, numa cidade do interior, onde existem escolas de samba elitizadas e financiadas por clubes não negros da cidade cultura, onde os dois brasis se apresentam: os dos miseráveis e o dos abastados. Carnaval é a cultura de todos, principalmente daqueles que devem vestir a lantejoula ou o seu TNT, e enfeitá-lo conforme as condições de vida de seu povo. É duro saber que 150,000 reais (cento e cinquenta mil reais), foram doados pela prefeitura da cidade, para o maravilhoso carnaval de Porto Alegre para o carnaval da Imperadores do Samba! Em contraposição, uma ninharia para os guerreiros da cidade coração do Rio Grande do Sul, e seus foliões! Como diz o nosso povo gaúcho, isso é uma barbaridade! E agora José? Como vai ser meu prefeito? E nós meu povo? Cadê o respeito pelo teu carnaval, onde desfilas numa avenida com declive acentuado e ainda sorris como bom brasileiro a empurrar alegorias inacabadas? Ainda sem um sambódromo? Quem faz esses acordos, como concordam em não avançar e cortar as velhas cordas na av. Liberdade? Quem tomou essa liberdade e não consultou as bases populares para acessar a verba da cultura, ao quais pagas impostos para poder usufruir! Liberdade!!! Os velhos carnavais já se foram, era importante para cidade, que fazia questão de trazer os Clubes Sociais que desfilavam antes das Escolas de Samba, um mundo branco e o outro negro, passamos por isso! E aguentávamos numa boa?! Agora romper com as cordas que nos prendem a um carnaval muito mesquinho, mas que ostenta Santa Maria, para um povo que não esta nem ai para nós. Dói sabe. Que falta faz Miro. Miro da Cuíca, trazendo Fernando Pamplona, Joãozinho Trinta, Miro que no carnaval seguinte inaugurou as camisetas todas com a seguinte inscrição: baterias nota 2! E ainda trouxe a Cova da Onça, escola de samba Vermelho e Branco de Uruguaiana para se apresentar nas quadras de Vila Brasil. Minha gente da Vermelho e Branco, caprichem, acertem os detalhes, mostre que o Pavão, se transforma em Fênix e renasce das cinzas. Volta Miro e Agenor, meus baluartes, ensinem essa nossa gente a ter classe de um grande sambista, sem perder a veia de guerreiros pela dignidade desse povo que desce as favelas e a Vila e arredores da cidade cultura se tinge de diversidade, que exige respeito e quer apenas dizer que existe!!! Vamos à luta vermelho e branco, pois esse enredo do carnaval dessa nossa Santa Maria é para rodar a baiana mesmo!!!
BALUARTES DA VILA
BALUARTES DA VILA
BALUARTES DA VILA
BALUARTES DA VILA
