BALUARTES DA VILA

BALUARTES DA VILA
BALUARTES DA VILA

BALUARTES DA VILA

BALUARTES DA VILA
BALUARTES DA VILA

domingo, 27 de março de 2011


O Homem Falou 


Pode chegar que a festa vai é começar agora

E é prá chegar quem quiser, deixe a tristeza prá lá

E traga o seu coração, sua presença de irmão

Nós precisamos de você nesse cordão

Pode chegar que a casa é grande e é toda nossa

Vamos limpar o salão, para um desfile melhor

Vamos cuidar da harmonia, da nossa evolução

Da unidade vai nascer a nova idade

Da unidade vai nascer a novidade

E é prá chegar sabendo que a gente tem o sol na
mão

E o brilho das pessoas é bem maior, irá iluminar
nossas manhãs 

Vamos levar o samba com união, no pique de uma escola
campeã

Não vamos deixar ninguém atrapalhar a nossa passagem

Não vamos deixar ninguém chegar com sacanagem

Vão'bora que a hora é essa e vamos ganhar

Não vamos deixar uns e outros melar

Oô eô eá, e a festa vai apenas começar(vamos lá
meu amor )

terça-feira, 22 de março de 2011

A VILA BRASIL DA A VOLTA POR CIMA

Feitiço da Vila

Parabéns Vila Brasil, estamos chegando Lá!!!

A Vila Brasil entrou na avenida, disposta a enfrentar o descrédito que a desmantelou nos últimos carnavais. Era a hora da virada!
E foi! A Paixão que move o Vileiro, é a combustão que o faz buscar sua felicidade brincando na avenida. Entre os anéis de saturno e constelações que despencaram na avenida, um mar de sentimentos pela escola querida, fazia chover na avenida. Choviam entre purpurinas e lantejoulas, chovia entre a cadência da bateria e preocupação da Porta Bandeira Lucélia, chovia no coração e principalmente na face do povo da vila...chovia, um choro incomum, uma lágrima de realização pessoal de colocar a escola na avenida. O tempo ajudou no domingo, onde não choveu no carnaval, mas para os bons observadores os olhos do povão vermelho e branco estava marejado com as aguas de amor pela Vila Brasil. Essa e a vila que nós amamos, com seus defeitos e qualidades, esta é a nossa casa de samba, esse é o nosso quintal, esse é o nosso terreiro, esses são nossos amigos e parentes  que trazemos para a procissão do samba! Os jurados acharam que devíamos ficar em quinto lugar, nós da Vila desfilamos e mostramos nosso samba, nossos valores, nossas estrelas e nosso sol vermelho, que nasce sempre em primeiro lugar iluminando nosso povo. Impossível não manter a tradição, mesmo que a mão do ritmista sangrasse, no couro branco do surdo mestre, nós os filhos da Vila, que é do operário, do vagabundo,  da prostituta, da lavadeira, do doutor, do empresário, do homossexual, dos deserdados, dos bêbados, dos escritores, dos poetas loucos, dos apaixonados, dos negros, dos brancos, enfim da diversidade desse nosso chão, nós estávamos lá, felizes cantando o samba maravilhoso dizendo que Nossa Vila é o Universo Surreal e da Magia, essa magia que enfeitiça a gente e toda dor vira só felicidade.

FEITIÇO DA VILA


Noel Rosa (com algumas adaptações de Baba Xandeco)
Composição: Noel Rosa / Vadico
Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos,
Do arvoredo e faz a lua,
Nascer mais cedo.
Lá, em Vila Brasil,
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba.
São Paulo dá café,
Minas dá leite,
E a Vila Brasil dá samba.
A Vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem
Tendo nome do país
Transformou o samba
Num feitiço descente
Que prende a gente
O sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora:
"Sol, pelo amor de Deus,
não vem agora
que as morenas
vão logo embora
Eu sei tudo o que faço
sei por onde passo
paixão não me aniquila
Mas, tenho que dizer,
modéstia à parte,
meus senhores,
Eu sou da Vila!

quinta-feira, 10 de março de 2011

TA NA HORA VILA BRASIL, VAMOS LÁ!

RENASCER DAS CINZAS





O Carnaval de Santa Maria, volta!
Eu volto também. O tempo não mais volta! Mas renascemos das cinzas, de qualquer desilusão com nossas alegrias. Saber que a Vila chegou ao fundo do poço no último carnaval é o mesmo sentimento de vácuo, na dor que experimentei quando li que a Portela no Rio , ao qual sou torcedor, este ano não concorreria. Situações análogas de falta de condições financeiras para participar da festa. Na terrinha santa, Jamais Miro da Cuíca, Caixa, Marlene, Enésia deixariam que a Vila não fosse para avenida. A Vila é feita de gente guerreira do povo, que é teimosa e quer desfilar e competir no carnaval, mesmo que para isso, tivessemos que recomeçar do nada. A culpa e seus culpados, pode ser a inflação, poderá ser a desunião, a falta de incentivo financeiro, o trabalho que deverá ser mantido o ano inteiro e não tão somente nos últimos meses que antecedem a grande festa. Corajosa Vila Brasil, busquemos nossos baluartes que com certeza não deixariam ninguém falar mal da Vila. A Vila é tudo de bom! Porque é feita de gente, com todos os agravos e desagravos da imperfeição e iluminação humana. Miro por exemplo, nunca baixou a cabeça. Era um grande articulador do Carnaval em geral. Pensava no povo. Na Vila, um exemplo, mesmo quando um jurado despreparado, deu nota 2 para a nossa bateria da Vila Brasil. Todo mundo sabia que éramos superiores neste quesito e foi uma forma de nos atingir. Superamos tudo isso nos carnavais dos anos 80. Inovamos na avenida, trouxemos treme-terras, e não tinha para ninguém sabe por quê? Por que tínhamos garra de querer e ser os campeões do carnaval. Fazíamos feiras de baianas em praça pública, cobrávamos a entrada irrisória para os ensaios, e todos colaboravam numa boa. Sem contar que tínhamos o compromisso de pegar junto no barracão. Já sofremos muitas discriminações, mas nunca deixamos de levantar a nossa bandeira. Mesmo doendo com uma desclassificação, mesmo sangrando, nosso coração latejante com sangue manchado de vermelho, nos braços brancos da paz! Nós somos a resistência do samba em Santa Maria. Doa a quem doer! Isso não faz o nosso povo Vileiro, nem melhor, nem pior, apenas digno de respeito de todos, pelos anos passados através do amigo tempo, que entre altos e baixos soube manter a tradição, numa cidade do interior, onde existem escolas de samba elitizadas e financiadas por clubes não negros da cidade cultura, onde os dois brasis se apresentam: os dos miseráveis e o dos abastados. Carnaval é a cultura de todos, principalmente daqueles que devem vestir a lantejoula ou o seu TNT, e enfeitá-lo conforme as condições de vida de seu povo. É duro saber que 150,000 reais (cento e cinquenta mil reais), foram doados pela prefeitura da cidade, para o maravilhoso carnaval de Porto Alegre para o carnaval da Imperadores do Samba! Em contraposição, uma ninharia para os guerreiros da cidade coração do Rio Grande do Sul, e seus foliões! Como diz o nosso povo gaúcho, isso é uma barbaridade! E agora José? Como vai ser meu prefeito? E nós meu povo? Cadê o respeito pelo teu carnaval, onde desfilas numa avenida com declive acentuado e ainda sorris como bom brasileiro a empurrar alegorias inacabadas? Ainda sem um sambódromo? Quem faz esses acordos, como concordam em não avançar e cortar as velhas cordas na av. Liberdade? Quem tomou essa liberdade e não consultou as bases populares para acessar a verba da cultura, ao quais pagas impostos para poder usufruir! Liberdade!!! Os velhos carnavais já se foram, era importante para cidade, que fazia questão de trazer os Clubes Sociais que desfilavam antes das Escolas de Samba, um mundo branco e o outro negro, passamos por isso! E aguentávamos numa boa?! Agora romper com as cordas que nos prendem a um carnaval muito mesquinho, mas que ostenta Santa Maria, para um povo que não esta nem ai para nós. Dói sabe. Que falta faz Miro. Miro da Cuíca, trazendo Fernando Pamplona, Joãozinho Trinta, Miro que no carnaval seguinte inaugurou as camisetas todas com a seguinte inscrição: baterias nota 2! E ainda trouxe a Cova da Onça, escola de samba Vermelho e Branco de Uruguaiana para se apresentar nas quadras de Vila Brasil. Minha gente da Vermelho e Branco, caprichem, acertem os detalhes, mostre que o Pavão, se transforma em Fênix e renasce das cinzas. Volta Miro e Agenor, meus baluartes, ensinem essa nossa gente a ter classe de um grande sambista, sem perder a veia de guerreiros pela dignidade desse povo que desce as favelas e a Vila e arredores da cidade cultura se tinge de diversidade, que exige respeito e quer apenas dizer que existe!!! Vamos à luta vermelho e branco, pois esse enredo do carnaval dessa nossa Santa Maria é para rodar a baiana mesmo!!!

quarta-feira, 2 de março de 2011

O BOM FILHO A CASA TORNA



Após 25 anos de ausência de Santa Maria, minha terra natal, encontrei-me comprometido com meu retorno as minhas raízes. Recusei muitos convites, por não me identificar com as situações e poder escolher entre saudades, lembranças, dores e alegrias. Escolhia a solidão, ao vácuo de meus baluartes, sigilosamente ocultados dentro do coração, valente zelador das nossas emoções.
Sentir a dor da ausência daqueles que me legaram valores, era até então uma situação insuportável. Ir a terra natal e não encontrar gente da Vila, não encontrar Aldorinda Barbosa, Miro da Cuíca, Ozzo, Flávia, Siza, Tilica, Valdir, Tuna, Nonana, Eloy Ricaldi, Gon, Zico, Agenor do Amaral, Maria, Enilda e tantos outros que sumiram, como os trens que alegravam Santa Maria.
Vagões desativados, locomotivas enrugadas pelas ferrugens que o tempo foi deixando, sem a lembrança do lindo passado de glórias.
Mas é numa estação desativada, que a alma do samba da cidadezinha pacata, ganha força e a nobreza dos filhos da terra amada.
A fuligem dessa gente negreira, os brilhos dos trilhos do trem, passa para a imaginação e delas surgem fantasias e delírios. O trem dança levando todos para SantaVila Brasil.
Maria, que não é a santa da cidade, mas é a baiana, que pediu aos seus santos que a levassem na avenida,assim se foi rodando feliz. Maria não estava lá, mas seu espírito e alegrias imortais estavam presentes. Uma nova geração leva o samba na nossa Vila, não mais aquele samba daquele jeito do buraco quente. É samba com cara de gente jovem a tremular como a bandeira da vermelho e branco. Marlene Vidal, ao lado de Jocélia, voltou a carregar a bandeira, com os olhos marejados, ao lado do mestre sala franzino e hábil no cortejar o pavilhão da escola. Cantar na Vila sempre fora meu sonho de menino, tímido, a se emocionar com os trens e a Maria Fumaça que a Vila levou para avenida. Um coral maravilhoso a me acompanhar a cantar perolas! Nào era sonho não, era realização plena de minha felicidade guardada e dada de presente ao olhares saudosos de nosso povo. Lá estavam os descendentes daqueles aos quais eu temia a ausência. Quanto aos meus refenciais, pude senti-los plenamente no arrepio da emoção latente. Estavam todos presentes, a cortina se abriu e não precisavam mais espiar, mas vieram participar da festa, lisonjeados por poderem acompanhar filhos ilustres dessa família sambista. Cau, o Sérgio Barbosa, conduzindo gente nossa perdida pelo formigueiro humano da enorme Porto Alegre. Ele conseguiu o resgate do quebra cabeça da genética do samba, fiel e necessária nesta afirmação de valores culturais. Sinalizar a ausência da comunidade LGBT, nas figuras de Vilmar, Marcelino, Teresão, não ver mais os meus amigos gays da Maré Vermelha a fazer arrastões e tornar realmente a Vila Brasil, a escola que não discrimina ninguém e trabalha a diversidade acolhendo o ser humano na sua real condição de humano. Saudades e lembranças nada mais! Sonhos que ficaram na avenida, diz o samba que mais me emociona e que tive o prazer de cantar para vocês. Que esses meninos e meninas possam fazer diferente, fazer o seu tempo, mas que não esqueçam a nossa identidade, nossos baluartes, que não percam essa diversidade acolhedora das diferenças sociais que enriquecem a nossa cultura popular e fazem da Vila uma grande festa. Cacha, não apareceu neste dia, senti a sua falta, devia estar ocupado com o livro da Vida da Vila, um grande intelectual da nossa vermelho e branco, ao qual eu respeito e admiro. Aproveitem sua sabedoria, busquem-no, ele sabe muito. Essa sapiência não está num livro aberto, mas no zelo da memória. Seu Agenor não estava lá, nem Osmar Amaral, mas estava presente sua alma no carisma e sorriso lindo de sua filha Alcione, a herdeira do nosso Rei percussor do carnaval desta cidade. Valdir não estava, lá, mas impressionantemente seu filho Bem-Hur Barbosa, ainda usa a toda hora a palavra inclusive, marca registrada de Didi, ou seja, igualzito ao pai. Meu Deus! Paro de delirar com a Vila e me dou conta que realmente somos imortais! S'imbora Vila!!!